Resenha - A Menina Submersa: Memórias



Conheça o livro A Menina Submersa, e mergulhe nas profundezas das confusões e conflitos mentais de Imp.

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A Menina Submersa: Memórias
The Drowning Girl: a memoir
Caitlín R. Kiernan




Darkside Books
317
Física


Sinopse

'A Menina Submersa - Memórias' é um verdadeiro conto de fadas, uma história de fantasmas habitada por sereias e licantropos. Mas antes de tudo uma grande história de amor construída como um quebra-cabeça pós-moderno, uma viagem através do labirinto de uma crescente doença mental. Um romance repleto de camadas, mitos e mistério, beleza e horror, em um fluxo de arquétipos que desafiam a primazia do 'real' sobre o 'verdadeiro' e resultam em uma das mais poderosas fantasias dark dos últimos anos. Considerado uma 'obra-prima do terror' da nova geração, o romance é repleto de elementos de realismo mágico e foi indicado a mais de cinco prêmios de literatura fantástica, e vencedor do importante Bram Stoker Awards 2013. A autora se aproxima de grandes nomes como Edgar Allan Poe e HP Lovecraft, que enxergaram o terror em um universo simples e trivial — na rua ao lado ou nas plácidas águas escuras do rio que passa perto de casa —, e sabem que o medo real nos habita. O romance evoca também as obras de Lewis Carrol, Emily Dickinson e a Ofélia, de Hamlet, clássica peça de Shakespeare, além de referências diretas a artistas mulheres que deram um fim trágico à sua existência, como a escritora Virginia Woolf.



Resumo

India Morgan Phelps, ou simplesmente Imp, pensa ter herdado de sua mãe a "Maldição da família Phelps". Imp perdeu sua mãe quando tinha apenas 17 anos e, após a perda, foi diagnosticada com um distúrbio psicológico.

Imp mora sozinha e possui o costume de escrever em seu diário desde que sua mãe morreu. Mas por causa de seu distúrbio, Imp possui a mente um pouco falha e confusa, e não consegue ter certeza se tudo o que está escrito em seu diário é verdade ou mais uma de suas alucinações.

Será que sou uma louca que apenas transfere seus delírios e consciência perturbada para a palavra escrita?

Outra paixão de Imp é a pintura, e sua pintura preferida — e de certa forma obsessão — é o quadro de Phillip George Saltonstall, intitulado "A Menina Submersa". Sua obsessão é tanta, que ela busca tudo o que possui relação com o quadro, busca até mesmo tentar descobrir o motivo que levou o pintor fazer o quadro.




Em um de seus passeios pela cidade, Imp acaba conhecendo Abalyn Armitage, uma moça que tinha acabado de ser "despejada" e estava no meio da calçada com todos os seus pertences. Imp, com seu coração generoso, convida a moça para ir morar com ela, mesmo sem a conhecer. Mais tarde, Abalyn acaba se tornando namorada de Imp, até o dia em que Imp conhece uma nova pessoa, Eva Canning.



Opinião

O livro A Menina Submersa é um verdadeiro conto de fadas, sereias e lobisomens. Não posso dizer que é um livro que flui com facilidade e que é de fácil entendimento, pois não é. Foi um livro que levei semanas para digerir, entender e terminar. E posso garantir que isso não foi nada fácil.

Eu nunca poderia ser uma escritora. Não uma escritora de verdade. É terrível demais ter pensamentos que se recusam a se transformar em frases.

A todo momento somos jogados para a mente confusa e perturbada de Imp. Isso acaba confundindo o leitor, pois de uma hora pra outra a personagem muda o tempo da narrativa. Em um momento estamos no presente e de uma hora pra outra, somos levados ao passado, tudo isso sem aviso prévio, sem a pessoa perceber. Mas isso pode ser — e provavelmente é — um dos pontos positivos do livro pois nos mostra com clareza a confusão que é a mente de um esquizofrênico. Tudo isso me deixou um pouco incomodada, pois foge do tipo de narrativa que costumo ler, mas sair do costumeiro faz parte.

A partir daqui, porém, é tudo suposição e não muito mais do que isso...


A forma como a personagem fala, explica e afirma a veracidade do quadro A Menina Submersa é tão real que, em certo momentos, chegamos a pensar que o quadro existe mesmo, que é verdadeiro. Se buscarmos informações quanto ao quadro e ao autor, vemos que não passam de personagens fictícios.





Imp vaga por histórias e problemas que podem ser considerados utópicos de tão estranhos que são. Mas a todo momento ela nos avisa que tudo isso pode não passar de mais uma de suas alucinações, que as coisas podem não ter acontecido da forma que ela está contando. Um dos momentos que mais percebemos tais alucinações é quando Imp deixa de tomar seus medicamentos. Na busca de explicações sobre Eva Canning, Imp e o leitor "mergulham" de cabeça na esquizofrenia, alucinações, paranoias, medos, e damos de cara com diversas feras inventadas por Imp.

— Como falei, dou risada sempre que posso. Rio para manter os lobos a distância.

Essa edição do livro A Menina Submersa é linda, com acabamento perfeito. As folhas, besouros, lacraias e as ilustrações dão um toque a mais no livro que já é lindo, sem falar das laterais rosas que são um encanto.




Apesar da leitura ser de difícil entendimento e, em certos pontos, se tornar um pouco arrastada, A Menina Submersa é um livro bom e com grandes ensinamentos. Os leitores (e os futuros leitores também) desse livro devem saber que A Menina Submersa não se trata de um livro simples, com uma história igual a de outros livros. E sim, de um livro extremamente confuso e complexo, sem deixar de ser bom.

A normalidade é um comprimido amargo do qual reclamamos.


E você já leu ou pretende ler A Menina Submersa? Me conte nos comentários o que você achou do livro. :D


***


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