Eleanor & Park e a trilha sonora perfeita


Vocês também são do tipo que imagina a trilha sonora da adaptação de um livro que vocês acabaram de ler?
Nós amamos quando nossos livros favoritos são adaptados pros cinemas, e pensando nisso, escolhemos algumas músicas que poderiam facilmente tocar enquanto as letrinhas sobem no final do filme 💖

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Eleanor & Park

Rainbow Rowell
Caio Pereira



Novo Século
286
Fisica

http://www.livrofilia.com/2017/02/resenha-eleanor-e-park.html





Eleanor era muito parecida com a mãe. Mas não o suficiente.  A mãe era linda. Não como uma princesa. Princesas são só bonitinhas. A mãe era como uma rainha. Alta e majestosa, com ombros largos e cintura elegante. Com queixo fino e maçãs do rosto salientes e macias. Eleanor conseguia facilmente imaginá-la entalhada na proa de um barco viking. Eleanor parecia com ela, mas vista através de um aquário. O que na mãe foi bem desenhado, em Eleanor era apenas um rascunho. Aos 16 anos, a garota tinha a silhueta de uma gerente de taverna medieval. Ela também tinha sardas. Não só no rosto, mas nos braços também, de diferentes tons de dourado e róseo. Tinha sardas nas costas das mãos, com unhas curtas e cutículas ressecadas. Os olhos dela eram como buracos no rosto, de tão escuros. Faziam Park se lembrar de como os artistas desenhavam a Jean Grey quando ela usava sua telepatia. Era difícil vê-la sorrir, mas geralmente não conseguia evitar quando as segundas-feiras chegavam. Nesse dia da semana ela sorria como se participasse de um comercial de creme dental, daqueles que dá pra ver todos os dentes. Park queria poder fazê-la sorrir assim todos os dias. Ela nunca usava maquiagem. Não apenas pelo simples fato de não ter, mas também por achar que usar maquiagem a faria parecer falsa. Como se estivesse tentando ser bonita e popular. Era a parte do tentar que a deixava nauseada. Park achava que às vezes parecia que ela tentava esconder tudo que tinha de bonito. Era como se tentasse ser invisível, mas fazendo tudo ao contrário. Era praticamente impossível imaginar Eleanor não chamando atenção. Gente que não quer chamar atenção não amarra o cabelo com uma gravata, nem usa essa mesma gravata enrolada no braço como se fosse uma pulseira. Ela era mesmo esquisita. Nisso todo mundo concordava. Mas não era exatamente por isso que Park gostava dela?


Eleanor tinha razão. Não tinha boa aparência. Era como uma obra de arte, e arte não deve ter boa aparência, mas sim fazer a gente sentir alguma coisa.




Por que Park gostava de Eleanor? Ele não gostava. Precisava dela. Não sabia bem por quê, mas precisava. Queria ficar com ela o tempo todo. Porque ela era a garota mais inteligente que ele já havia conhecido, a mais engraçada, e tudo que ela fazia o surpreendia. Tinha haver com seu cabelo ruivo e suas mãos macias, e com o fato de ela ter cheirinho de bolo. Por que Eleanor gostava de Park? Ela não gostava. Vivia por ele. Achava que nem respirava quando não estavam juntos (o que significa que quando eles se viam nas segundas de manhã, haviam sido umas 60 horas sem respirar). Tudo que ela faziam quando estavam separados era pensar nele, eu tudo que ela fazia quando estavam juntos era entrar em pânico. Porque cada segundo importava. Porque ele era bom, e entendia as piadas dela. E era mais inteligente que ela e parecia um protagonista. E era tão lindo, tão gentil. Porque era como se ele despejasse um tesouro sobre ela a cada manhã, e ela jamais teria como retribuir. Não sabia como agradecer por ele te lhe apresentado o The Cure ou os X-Men. Quando ela o via Park a esperando no ponto de ônibus tinha a impressão de ficar com as bochechas vermelhas e, que nem acontecia com personagens de desenho animado, coraçõezinhos começavam a pipocar de dentro dos ouvidos. E ela achava isso ridículo. Quando Park a via segunda de man, queria correr até ela e tomá-la nos braços, que nem acontecia nas novelas que a mãe dele assistia. Ele precisava apoiar as mãos nas alças da mochila pra se conter. E ele achava essa sensação maravilhosa.


Era como se suas vidas fossem linhas que se entrecruzavam, como se gravitassem em torno um do outro. Geralmente, esse serendipismo lhe parecia a maior dádiva do universo.




Eleanor ainda conseguia lembrar da vida que sua família tinha antes de Richie fazer parte dela. Lembrava da mãe acendendo incensos e colocando seus discos favoritos pra tocar enquanto limpava a casa. Lembrava das festas que os pais davam quando ainda estavam juntos, com taças de vinho por todo canto e mulheres de vestido longo. Lembrava de ver a mãe ter tempo pra ficar largada no sofá, lendo um exemplar da revista Life e bebendo daiquiri de banana. Lembrava da mãe sempre conseguindo lhe convencer a dizer o que estava sentindo. Depois que os pais se separaram, Eleanor não conseguia imaginar outro cara magoando sua mãe mais do que seu pai tinha feito. Não dava pra saber que sua vida viraria de cabeça pra baixo depois de um cara que a mãe achava lindo como um dia de primavera havia lhe pedido o número do seu telefone e dito que ela era a mulher mais linda que ele havia visto. Não tinha como prever os hematomas que a mãe teria nos anos seguintes, nem as brigas de meio de madrugada que faziam todos os seus irmãozinhos se amontoarem num canto do quarto chorando em silêncio. Não tinha como prever que sua mãe a manteria longe da própria casa por um bom tempo pra que a filha sobrevivesse apesar da raiva de Richie. Ela não queria ter que passar por isso de novo. Não queria ter que ir embora sem direito de dizer adeus aos irmãos que ela tanto amava. Não queria ter que ficar de favor na casa de uma amiga da mãe, ouvindo ela e o marido cochichando sobre entregar esse assunto ao conselho tutelar. Se suspeitasse que isso poderia acontecer de novo, ela imploraria por piedade, cairía de joelhos no chão e imploraria pra poder ficar. Sua vida era um verdadeiro castelo de cartas. Era por isso que Eleanor nunca falava da família ou de casa, do que aconteceu antes de ela se mudar pra vizinhança e do  que acontecia depois que ela saia do ônibus da escola. Ela levantava todos aqueles muros, aquelas fitas de isolamento que vemos em cenas de crime, a seu redor porque queria proteger Park. Porque queria se proteger. Porque não queria ter que acabar perdendo Park também.


Na primeira vez em que ele pegou na mão dela, foi tão bom que todas as coisas ruins se afastaram. Essa sensação boa foi muito mais forte do que qualquer dor.


Mas e vocês, que já leram Eleanor & Park, qual citação favorita de vocês? E que músicas vocês acham que combina com esse livro amorzinho? Contem pra gente!
[[camila]]

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